segunda-feira, 14 de junho de 2010

Eis o Que Temo


Eis o que temo
Temo o calor do sol o céu claro,
o brilho das estrelas a
beleza de um luar.

Eis o que temo
A compaixão dos fracos,
os aplausos da multidão,

Eis o que temo
À cegueira da paixão,
a certeza inflexível.

O que temo?
As aparências!

Dalton Rocha

domingo, 13 de junho de 2010

Pense Comigo!


Certa vez um jovem discípulo questionou seu mestre:

Mestre a anos convivo com o senhor e sempre lhe vejo
em silêncio profundo, por que?

O mestre calmamente olhou-o nos olhos e disse:

o homem que for capaz de diminuir a força de seu ego, e manter-se em silêncio, conhecera grandes mistérios escondidos no Verso e no Uno.

O jovem discípulo o fez um pedido:

mestre, por favor, me ensine o segredo para conhecer tais coisas?

O mestre com seus olhos fixos em seu discípulo sorriu e disse:

o segredo? O segredo do segredo está contido
no próprio segredo. se é segredo não deve ser dito
a ninguém, e sendo assim lhe pergunto;
qual é o segredo do segredo?

O jovem abaixou sua cabeça, deu dois passos à direita,
um à frente, sentou-se ao lado de seu mestre
e pois-se a meditar.

Dalton Rocha

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Em Nome De Todos os Negros



Por muitas vezes tentaram me sufocar, e pela cor de minha,
melanina trataram-me pior que um criminoso exilado,
fui subjugado, condenado a ser escravo. Minha existência
foi considerada como um mero favor "divino" ou um simples
fruto do acaso... disseram-me que não tinha coração, alma,
e com os mortos não participaria da redenção... para terem
certeza me decapitaram e com o reino dos céus passei a não
ter comunhão. É foi assim que soube que Deus existia, na
pratica encimaram-me segundo os preceitos do "livro sagrado"
que é divino acepções entre os seres...

Por muito tempo ser negro era ser herdeiro deste
silêncio, hoje ser negro é ter na veia a força herdada da superação,
"rebeldia" luta de zumbi o negro que trouxe a muitos coragem e
libertação, meu silêncio subjugado outrora, agora são palavras
gritantes, quem poderá me conter? meus olhos negros não
brilham somente, falam! Meus lábios proclama palavras de
vitória, o coração carrega um amor ardente pela cultura que é
forte e transparecer em meu ser, esta tradição está enraizada em minha alma.


Por mais que fui e ainda seja neste silêncio preso pelas algemas do racismo e discriminação que ainda vive camuflada entre a sociedade medíocre, saibam que minha alma foi e sempre será livre.

Dalton Rocha

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Onde Está a Autenticidade?


Vou lhe dizer o que falta! Ora, é simples.
O que falta nada mais é que autenticidade!
Cansei de ver réplicas, cansei de toda essa sua
Superficialidade, não vejo nada de novo!

Estão apenas a reproduzir... o que descobrem, produzem?
Você sabe! Seus pensamentos não são nada novos!
Sua arte: uma autêntica cópia! Estou saturado!
Onde estão os poetas? Não "morreram" os filósofos?

Onde estão?! O que vejo? Réplicas de grandes homens,
Que fizeram
de sua "existência enquanto vida caminhante" uma
Eterna descoberta. O que vejo? Medíocres homens voando
Nas asas de outros pássaros!


Dalton Rocha

Metamorfose


Não me lembro ao certo quando
Soltei meus primeiros versos...
Lembro-me que a música era minha
inspiração. A música tornou-se de fato poesia.

Lembro, pequenos epitáfios antecipados que podiam
Dizer grandes coisas... lembro-me de meus
Últimos versos, e estes são os primeiros que
Precedem os novos... adentro em algum lugar.

De meu interior, não sei bem onde, e busco letras
Que formem sílabas, sílabas que formem palavras, palavras
Que formem frases, frases que formem poesias, epitáfios,
Textos enfim, mas que expressem claramente aquilo que vejo.


Dalton Rocha