Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de junho de 2010

NOTA de Repúdio Contra a Repressão Política em Brasília – DF


Nós, cidadãos, parlamentares, partidos políticos, organizações sociais e entidades representativas abaixo listadas repudiamos a criminalização e repressão em curso no Distrito Federal contra os/as que ousaram se inginar contra toda a máfia instalada no poder do Distrito Federal - DF.
No dia 17 de Abril, em protesto pacífico na Câmara Legislativa do Distrito Federal – CLDF, contra a eleição indireta e ilegítima que elegeu o atual Governador-tampão, foram presos Daniel Galvão, Diogo Ramalho, Solon Nicolas, e Derci Barbosa. Daniel Galvão, estudante do Mestrado foi além de espancado publicamente, lhe atribuído acusações forjadas e infundadas, bem como o estudante Solon, que teve de ser socorrido ao Hospital e o estudante Derci, todos sendo processados penalmente por incitação ao tumulto, dentre outras acusações. Todos foram conduzidos à 2º Delegacia de Polícia, ao lado da CLDF e forçados a assinar confissão de culpa, Daniel que se recusou a assinar, foi encarcerado.
O estudante Diogo Ramalho depois de preso por suposto desacato, foi conduzido para a 2º DP mas logo em seguida levado em separado para a Delegacia de Repressão a Pequenas Infrações – DRPI, 30min de viatura da CLDF, e submetido a tortura moral e fisica, sendo espancado por políciais civis e arrastado no chão pelos cabelos nos corredores até dentro da cela.
Além dos presos no protesto do dia 17 de Abril, o estudante de baixa renda David Wilkson está sendo processado pelo Bilionário e ex-vice governador Paulo Octávio a pagar mais de 10 mil reais em indenização por ter supostamente quebrado 2 vasos de planta, orçados em 1mil reais, em protesto no ilegal stand de vendas do setor noroeste, em Março de 2010. No julgamento de conciliação o estudante se comprometeu a pagar o vaso, Paulo Octávio Empreendimentos no entanto, exige retratação pública em jornal de grande circulação mais o valor exorbitante do estudante que se mantém na UnB graças à assistência estudantil.
Repudiamos também as mais de 80 convocações a depor feitas às pessoas que participaram de protestos pacíficos nos fins de semana durante 3 meses em frente às residências dos parlamentares flagrados na operação caixa de pandora. As placas foram anotadas pela PM-DF e através dessas informações, as convocações só aumentam a cada dia, e têm o claro intuito de constranger e intimidar.
Por último repudiamos o processo administrativo aberto na CLDF contra 10 servidores, acusados de participarem de alguma maneira da ocupação popular da CLDF, ocorrida de 2 a 8 de dezembro de 2009.
Não esqueceremos também jamais, toda a repressão empreendida pelo Coronel Silva Filho, no dia 09 de dezembro, quando a cavalaria pisoteou e o BOPE massacrou os mais de 5 mil manifestantes que protestavam pacificamente contra a impunidade em frente ao Palácio Buriti, prendendo 5 pessoas e deixando dezenas de feridos. O mesmo Coronel Silva Filho, no dia 17 de Abril mais uma vez empreendeu repressão violenta e desproporcional contra os que protestavam contra a eleição indireta realizada pelos parlamentares corruptos que seguem sem punição.
Não aceitaremos a repressão política-jurídica-penal a tantos lutadores e lutadoras que gritaram contra a injustiça e a impunidade.
Quem quiser assinar é só mandar um e-mail para: ocupacaocldf@gmail.com

Criminalização Descarada

Em novo ânimo de luta, o Movimento Fora Arruda convoca a todxs a denunciar nesta quinta-feira os inúmeros processos descabidos em que tem sido acusadxs xs participantes nas lutas desde o início dos protestos em novembro passado contra o "grupo do terror". Já passam de 70 xs perseguidxs, entre indiciadxs e chamadxs a prestar depoimento pelo suposto envolvimento em ações ilícitas ocorridas duranta a ocupação da CLDF e manifestações de rua. Algumas acusações são tão absurdas que chegam a dizer que houve formação de quadrilha, tráfico de drogas e agrassão a policiais armados. Os casos de Daniel e Diogo são bem representativos por terem sido ambos torturados e constar em seu processo que foram agressores até de manifestantes quando das eleições indiretas em 17 de abril desse ano. Há ainda a exigência, pela Paulo Octávio Empreendimentos, de indenização pelo manifestante David no valor de R$ 10 000,00 (dez mil reais) pela suposta quebra de dois vasos de ornamentação do estande de vendas da empresa.

Diante dos fatos, vê-se a necessidade de prestarmos uma resposta à altura da investida contra o movimento denunciando de todas as formas a flagrante tentativa de criminalização de nossa luta.
De início está marcado um ato na rodoviária do Plano nesta quinta às 18h com ponto de encontro na escada ao lado da entrada do metrô. Levaremos faixas explicando à população o contexto e a nota de repúdio que será assinada por vários movimentos sociais e representantes da sociedade civil militante.

ATO QUINTA ÀS 18H NA RODÔ

domingo, 23 de maio de 2010

20 de Maio de 2010
André Abrahão
Manifestação

Os policiais ajudaram a retirar os "provocadores" liderados pelo deputado Aleluia

Direita brasileira é enxotada da manifestação pró-Cuba

A direita brasileira escolheu o dia 20 de Maio, esta quinta-feira, para fazer uma manifestação contrária ao regime de Cuba, mas foram surpreendidos com uma manifestação favorável a ilha. Os cinco manifestantes de direita, liderados pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foram enxotados pela dezenas de manifestadores que foram prestar solidariedade à Cuba.

Para isso contaram com a ajuda de policiais militares que impediram os atos de agressão ensaiados pelos “ianques”, como foram chamados pelos manifestantes: “Fora ianques”. Eles ainda insistiram nas provocações, passando de carro em frente à Embaixada de Cuba em Brasília, onde se realizava o ato.

Após o encerramento do evento, que durou duas horas de discursos, gritos de palavras de ordem e agitação de bandeiras e exibição de faixas, os manifestantes foram recebidos pelo embaixador cubano, Carlos Zamora, nos jardins da embaixada. Ele quis agradecer pessoalmente ao que considerou “ demonstração de carinho e solidariedade para com a revolução cubana e o que ela significa para todo o mundo.”

A exemplo dos manifestantes, Zamora encerrou sua fala com as palavras de ordem: “A luta de Cuba é a luta do povo”; “Liberdade para os cinco”, “Abaixo o imperialismo”; “Viva José Martí”, “Viva Fidel Castro”. E foi acompanhado ainda nas palavras de “vivas” à “Eterna amizade do povo de Cuba e do povo do Brasil”, encerrando com “Patria ou Muerte”.

Vaias e vivas

Na chegada do grupo de Aleluia, que carregava fotos de presos em Cuba, o vice-presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Paulo Guimarães, que estava discursando no carro de som, calou-se para acompanhar a movimentação de chegada e retirada deles, que durou poucos minutos. E depois comemorou: “Foram embora com o rabo entre as pernas, porque não tem inserção social, não tem apoio popular.”

“Vaias para eles e vivas para Cuba”, gritavam os manifestantes à saída do grupo de Aleluia.

Após a saída do grupo, os manifestantes se revezaram ao microfone para apresentarem palavras de apoio e solidariedade. Guimarães voltou a falar “para prestar solidariedade e apoio a esse povo que tem uma história que honra a humanidade. Esse ato demonstra a representatividade da luta do povo cubano que está centrada no entendimento e solidariedade”, disse.

Campanha midiática

Os manifestantes, a exemplo da coordenadora do Núcleo de Estudos de Cuba (NesCuba) da Universidade de Brasília (UnB), María Auxiliadora César, também se posicionaram contra a campanha midiática das grandes potências que tentam desacreditar a revolução cubana diante do mundo. “Cuba soube resistir porque tem um povo bravo e existem grupos no mundo inteiro que a apoiam, como esse que está aqui agora em Brasília.”

“Na base de mentiras e calúnias, transformam delinqüentes comuns em “presos políticos”, transformam mercenários pagos pelos cofres do Pentágono em “dissidentes”, premiam blogueiros vulgares como se fossem jornalistas e escritores. O centro desta campanha esta na Casa Branca, com o apoio de governos e parlamentares reacionários da União Européia. No Brasil, a campanha é protagonizada pela mídia conservadora e uma minoria de direitistas no Congresso Nacional”, diz o texto distribuído entre os manifestantes.

Graça Sousa, secretária de mulheres da CUT, disse que os movimentos sociais estão alertas para a ofensiva do capitalismo contra a revolução cubana que, a despeito do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, comemora 50 anos. E destacou as principais bandeiras de luta do regime cubano que conta com o apoio e solidariedade dos povos da América Latina: o fim do bloqueio, a devolução do território de Guatanamo e a libertação dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos.

Tilden Santiago, que foi embaixador de Cuba no primeiro Governo Lula, falou sobre a alegria de participar do ato, destacando que a mesma alegria devem sentir Fidel e Raul Castro ao tomar conhecimento de que o povo trabalhador brasileiro defende a revolução.

“A democracia avança na América Latina e avança a resistência dos cubanos que deram suor e sangue contra o imperialismo”, discursou, acrescentando que “se hoje nós temos governos à esquerda em toda a América Latina – Bolívia, Venezuela, Equador e no Brasil -, nós devemos a resistência permanente da revolução cubana, que é a vanguarda do sistema socialista na América Latina.”

“De pé, nunca de joelhos”

O ato contou com a participação de representantes de outros países e de cubanos. Tirso Sainz, da Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil (ANCREB) agradeceu a presença dos brasileiros, bolivianos e equatorianos, destacando que “a revolução cubana tem em seu povo a principal força.”

O coordenador do MST da Bolívia, Silvestre Saisari, disse que a presença da Bolívia no ato em apoio à Cuba representa a confiança na luta dos trabalhadores para construir uma pátria livre. Ele encerrou suas palavras breves, como a maioria dos oradores, puxando palavras de ordem: “Cuba de pé, nunca de joelhos.”

A equatoriana Loyda Olivo, da Via Campesina internacional, lembrou, em sua fala que “quem está contra Cuba está contra a América Latina.” E teve as palavras reforças por Rosângela Piovizani, do movimento de mulher camponesas, que destacou: “Cuba é uma referência para nós e tudo que significa de país livre do imperialismo”. Ao final, ela animou o público com as palavras de ordem: “Globalizemos a luta”. Em resposta, os manifestantes diziam: “Globalizemos a esperança.”

Roseli Maria de Sousa, da Via Campesina Brasil, resumiu sua fala à condução de uma representação. Ela pediu que os manifestantes se voltassem para a frente da embaixada e para o reconhecimento da revolução socialista com gritos de “vivas” à Cuba, à população cubana e aos trabalhadores e trabalhadoras que combatem o imperialismo. “É a Via Campesina na luta em defesa do socialismo e contra o imperialismo”, afirmou.

Lutas antigas e atuais

O embaixador Zamora, sob o sol forte de meio-dia, conversou com os manifestantes ao final do ato. Ele reforçou as lutas atuais do povo cubano, como a recuperação do território de Guatanamo, que serve como um posto de tortura dos Estados Unidos e que é mantido pela força; o fim do bloqueio econômico, que condena o povo cubano a penúria e que persiste, apesar de ser considerado pelos tratados e a comunidade internacional como elementos de genocídio; e a libertação dos cinco heróis cubanos, que lutaram contra o terrorismo dos Estados Unidos em nosso território e que estão cumprindo pena nas prisões dos Estados Unidos - presos injustamente e sem julgamento.

Zamora destacou que estas questões são ignoradas pela mídia internacional, que se cala sobre elas e que, enquanto elas existirem, Cuba não pode manter relação adequada com os Estados Unidos e nem o mundo poderia.

O diplomata também lembrou que a data de de maio é “cara” para o povo cubano, porque marca a morte do herói cubano José Martí, líder da guerra pela independência de Cuba.

Em 19 de maio de 1895, no comando de um pequeno contingente de patriotas cubanos, após um encontro inesperado com tropas espanholas nas proximidades do vilarejo de Dos Ríos, José Martí é atingido e vem a falecer em seguida. Seu corpo, mutilado pelos soldados espanhóis, é exibido à população e posteriormente sepultado na cidade de Santiago de Cuba, em 27 de maio do mesmo ano.“Um feito que nós cubanos levamos no coração”, disse o diplomata.

Sobre o dia 20 de maio, o diplomata disse que representa “um dia nefasto na história de Cuba”. Naquela data, "Cuba caiu nas garras do império norte-americano, que interveio na guerra contra a Espanha, ocupou militarmente a ilha e estabeleceu o que se conheceu pela primeira vez na história da humanidade como neocolonialismo.”




http://www.vermelho.org.br

Fidel: A importância histórica da morte de José Martí

Fazendo abstração dos problemas que hoje angustiam a espécie humana, nossa Pátria teve o privilégio de ser berço de um dos pensadores mais extraordinários que nasceu neste hemisfério: José Martí. Em 19 de maio, completa-se (completou-se) o 115º aniversário de sua gloriosa morte.

Por Fidel

Não seria possível avaliar a magnitude de sua grandeza sem levar em conta que aqueles com os quais escreveu o drama de sua vida também foram figuras extraordinárias, como Antonio Maceo, símbolo perene da firmeza revolucionária que protagonizou o Protesto de Baraguá, e Máximo Gómez, internacionalista dominicano, professor dos combatentes cubanos nas duas guerras pela independência onde participaram.

A Revolução Cubana que, ao longo de mais de meio século, vem resistindo aos ataques do império mais poderoso existente, foi fruto dos ensinamentos daqueles predecessores.

Apesar de que quatro páginas do diário de Martí nunca estiveram ao alcance dos historiadores, o que consta no resto daquele diário pessoal, detalhadamente escrito, e outros documentos seus daqueles dias, é mais do que suficiente para conhecer os detalhes do acontecido. Como nas tragédias gregas, foi uma discrepância entre gigantes.

Na véspera de sua morte em combate, escreveu a seu íntimo amigo, Manuel Mercado: "Já corro todos os dias o perigo de dar minha vida pelo meu país e por meu dever — já que o entendo e tenho ânimos para realizá-lo — de impedir a tempo, com a independência de Cuba, que os Estados Unidos se estendam pelas Antilhas e caiam com essa grande força sobre nossas terras da América. Tudo o que fiz até hoje e farei, é para isso. Em silêncio teve que ser e indiretamente, porque há coisas que, para consegui-las, devem estar ocultas, e de se proclamarem como são, trariam dificuldades muito sérias para conseguir sobre elas o fim".

Quando Martí escreveu estas palavras lapidárias, Karl Marx já tinha escrito O Manifesto Comunista, em 1848, isto é, 47 anos antes da morte de Martí, e Charles Darwin publicara A origem das espécies, em 1859, para citar só duas obras que, na minha opinião, mais influenciaram na história da humanidade.

Marx era um homem tão extraordinariamente desinteresseiro, que seu trabalho científico mais importante, O Capital, talvez jamais se teria publicado se Friedrich Engels não tivesse reunido e organizado os materiais aos quais o autor dedicou sua vida toda. Engels não só se encarregou desta tarefa, mas também foi autor de uma obra intitulada Introdução à dialética da natureza, onde falou do momento em que a energia do nosso sol se esgotaria.

O homem ainda não sabia como libertar a energia existente na matéria, descrita por Albert Einstein em sua famosa fórmula, nem dispunha de computadores que fazem bilhões de operações por segundo, capazes de reconhecerem e transmitirem, ao mesmo tempo, os bilhões de reações por segundo que têm lugar nas células das dezenas de pares de cromossomos que a mãe e o pai entregam em partes iguais, um fenômeno genético e reprodutivo que conheci depois do triunfo da Revolução, buscando as melhores características para a produção de alimentos de origem animal nas condições do nosso clima, que se estende às plantas, através de suas próprias leis hereditárias.

Com a educação incompleta que os cidadãos de mais recursos recebíamos nas escolas, a maioria privadas, consideradas os melhores centros de ensino, tornávamo-nos analfabetos, com um pouco de mais nível que aqueles que não sabiam ler nem escrever ou que frequentavam as escolas públicas.

Por outro lado, o primeiro país do mundo que tentou aplicar as idéias de Marx foi a Rússia, o menos industrializado dos países da Europa.

Lênin, criador da Terceira Internacional, considerava que não havia no mundo organização mais leal às idéias de Marx que a fração bolchevique do Partido Operário Social-Democrata Russo. Embora boa parte daquele imenso país vivesse em condições semifeudais, a classe operária era muito ativa e combativa.

Nos livros que Lênin escreveu depois de 1915, foi crítico incansável do chauvinismo. Em sua obra O imperialismo, fase superior do capitalismo, escrita em abril de 1917, meses antes da tomada do poder como líder da fração bolchevique daquele partido frente a fração menchevique, demonstrou que foi o primeiro em compreender o papel que estavam chamados a desempenhar os países sujeitos ao colonialismo, como a China e outros de grande peso em diversas regiões do mundo.

Por sua vez, a valentia e audácia de que Lênin era capaz foi demonstrada pelo fato de ter aceitado o trem blindado que o exército alemão, por conveniência táctica, lhe proporcionou para transladar-se da Suíça às proximidades de Petrogrado, pelo que os inimigos dentro e fora da fração menchevique do Partido Operário Social-Democrata Russo não tardaram em acusá-lo de espião alemão. De não ter utilizado o famoso trem, o fim da guerra teria surpreendido ele na distante e neutral Suíça, com o qual o minuto ótimo e adequado se teria perdido.

De alguma forma, por puro azar, dois filhos da Espanha, graças a suas qualidades pessoais, passaram a ter um papel relevante na Guerra Hispano-Norte-Americana: o chefe das tropas espanholas na fortificação de El Viso, que defendia o acesso a Santiago da altura de El Caney, um oficial que combateu até ser mortalmente ferido, causando aos famosos Rough Riders — ginetes duros, norte-americanos organizados pelo então tenente-coronel Theodore Roosevelt, que por causa do precipitado desembarque desceram sem seus fogosos cavalos — mais de trezentas baixas, e o almirante que, cumprindo a estúpida ordem do governo espanhol, partiu da baía de Santiago de Cuba com os fuzileiros navais a bordo, uma força seleta, da única maneira possível, que foi desfilar com cada navio, um a um, saindo pelo estreito canal de acesso, tendo em frente a poderosa frota ianque, que com seus encouraçados em linha disparavam com os potentes canhões contra os navios espanhóis, de muito menor velocidade e blindagem.

Logicamente, os navios espanhóis, suas dotações de combate e os fuzileiros navais foram afundados nas profundas águas da fossa de Bartlett. Apenas um desses navios chegou a poucos metros da beira do abismo. Os sobreviventes daquela força foram presos pela esquadra dos Estados Unidos.

A conduta de Martínez Campos foi arrogante e vingativa. Cheio de rancor por seu fracasso na tentativa de pacificar a Ilha, como tinha feito em 1871, apoiou a política ruim e rancorosa do governo espanhol. Valeriano Weyler o substituiu no comando de Cuba; este, com a cooperação dos que enviaram o encouraçado Maine a buscar justificativas para a intervenção em Cuba, decretou a reconcentração da população, que causou enormes sofrimentos ao povo de Cuba e serviu de pretexto aos Estados Unidos para estabelecerem seu primeiro bloqueio econômico, o qual deu lugar a uma enorme escassez de alimentos e provocou a morte de incontáveis pessoas.

Assim se viabilizaram as negociações de Paris, nas que a Espanha abriu mão de todo direito de soberania e propriedade sobre Cuba, depois de mais de 400 anos de ocupação em nome do Rei da Espanha, em meados de outubro de 1492, após afirmar Cristóvão Colombo: "esta é a terra mais formosa que olhos humanos viram".

A versão espanhola da batalha que decidiu a sorte de Santiago de Cuba é a mais conhecida, e sem dúvida houve heroísmo se é analisado o número e a patente dos oficiais e soldados que, numa situação muito desvantajosa, defenderam a cidade, honrando a tradição de luta dos espanhóis, que defenderam seu país dos aguerridos soldados de Napoleão Bonaparte, em 1808, ou a República Espanhola contra a investida nazi-fascista, em 1936.

No ano de 1906, uma ignomínia adicional caiu sobre o comitê norueguês que outorga os prêmios Nobel, ao buscar ridículos pretextos para conceder essa honra a Theodore Roosevelt, eleito duas vezes presidente dos Estados Unidos, em 1901 e 1905. Nem sequer era clara sua verdadeira participação nos combates de Santiago de Cuba à frente dos Rough Riders, e pôde ter muito de lenda a publicidade que recebeu posteriormente.

Eu apenas posso testemunhar a forma em que essa heróica cidade caiu nas mãos das forças do Exército Rebelde, em 1º janeiro de 1959. Então, as ideias de Martí triunfaram em nossa Pátria!

Por Fidel Castro Ruz
20/05/2010
www.vermelho.org.br

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sobre o Projeto de Lei "Ficha Limpa"

A política é de longe conduzida por interesses alheios ao povo. Não é admirável reconhecer que as figuras centrais do jogo tem sua imagem pública impecável, já que manipulam como querem a comunicação. Sem falar na quase inexistência (será que é quase?) de políticos engajados nas questões sociais, pensar num suposto grande prejuízo com a aprovação de tal projeto parece levar a crer que sindicalistas e militantes tem espaço na chegada ao poder. Se não obtiverem patrocinadores, jamais terão um cargo no congresso ou em qualquer câmara legislativa. Sendo assim, é razoável crer que mesmo sendo certa a tentativa de incriminar lutadores do povo para não vê-los políticos, não há nenhuma evidência atual de que eles chegam nas atuais condições ao poder, pois o capital faz a sua pré-seleção. E há a remota, mas possível possibilidade de, pela mobilização popular, fazer retroceder aqueles declaradamente inidôneos para a atividade. Também uma prática não pode ser julgada pelos seus executores (militares), mas pelo conteúdo que encerra. O projeto pode perder sua legitimidade por ser ofensor de direitos , o que é diferente de relacioná-lo a quem o idealizou.
David Wilkerson

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Fragmentos

"A burguesia já não tem mito algum. Tornou-se incrédula, cética e niilista. O mito liberal renascentista envelheceu demasiadamente. O proletariado tem um mito: a revolução social. Em direção a esse mito move-se com uma fé veemente e ativa. A burguesia nega; o proletariado afirma. A inteligência burguesa entretém-se numa crítica racionalista do método, da teoria e da técnica dos revolucionários. Que incompreensão! A força dos revolucionários não está na sua ciência; está na sua fé, na sua paixão, na sua vontade. É uma força religiosa, mística, espiritual. É a força do Mito. A emoção revolucionária, como afirmei em um artigo sobre Gandhi, é uma emoção religiosa. Os motivos religiosos deslocaram-se do céu para a terra. Não são divinos; são humanos, são sociais"

J. C. Mariátegui

História, materialismo, monismo, positivismo e todos os "ismos" desse mundo são ferramentas velhas e enferrujadas que já não preciso ou com as quais eu não me preocupo mais. Meu princípio é a vida, meu Fim é a morte. Gostaria de viver minha vida intensamente para poder abraçar minha morte tragicamente. Você está esperando pela revolução? A minha começou muito tempo atrás! Quando você estará preparado? (Meu Deus, que espera sem fim!) Não me importo em acompanhá-lo por um tempo. Mas quando você parar, eu prosseguirei em meu caminho insano e triunfal em direção à grande e sublime conquista do nada! Qualquer sociedade que você construir terá seus limites. E para além dos limites de qualquer sociedade os desregrados e heróicos vagabundos vagarão, com seus pensamentos selvagens e virgens - aqueles que não podem viver sem constantemente planejar novas e terríveis rebeliões! Quero estar entre eles!
E atrás de mim, como à minha frente, estarão aqueles dizendo a seus companheiros: "Voltem-se a si mesmos em vez de aos seus deuses ou ídolos. Descubra o que existe em vocês; traga-o à luz; mostrem-se!" Porque toda pessoa que, procurando por sua própria interioridade, descobre o que estava misteriosamente escondido dentro de si, é uma sombra eclipsando qualquer forma de sociedade que possa existir sob o sol! Todas as sociedades tremem quando a desdenhosa aristocracia dos vagabundos, dos inacessíveis, dos únicos, dos que governam sobre o ideal, e dos conquistadores do nada, avança resolutamente. Iconoclastas, avante! "O céu em pressentimento já torna-se escuro e silencioso!"
Renzo Novatore Arcola, janeiro de 1920



"A história é escrita pelas grandes transgressões de quem mudou o mundo com suas inquietações e se na nossa lei a ordem deve se manter, eu quero é desobedecer" (Tonho Gebara)

"Os povos, quando não lhes é permitido escreverem suas histórias com a caneta, a escrevem com o fuzil" (Sandino).

"(...) o ruído dos germes expandia-se num grande beijo.(...) Homens brotavam, um exército negro, vingador, que germinava lentamente nos sulcos da terra, crescendo para as colheitas do século futuro, cuja germinação não tardaria em fazer rebentar a terra."
Emile Zola, Germinal.

“Uma historia cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentiras, mas que eles são incompletos. Eles fazem uma historia tornar-se a única historia. Como conseqüência, esta historia acabará por roubar a dignidade das pessoas e dificultar o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada, enfatizando como as pessoas são diferentes, ao invés de como são semelhantes.” Chimamanda Adichie

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Paulo Octávio exige indenização de estudante de baixa renda


O milionário e ex-vice-governador do DF, Paulo Octávio, resolveu cobrar indenizações aos manifestantes do Fora Arruda. Na noite de quarta-feira (05), ocorreu no Fórum Leal Fagundes uma audiência de conciliação entre um dos manifestantes, David Almeida, e a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda. David, que é estudante de filosofia da UnB, foi preso enquanto participava de um protesto pacífico, no dia 22 de fevereiro deste ano, contra a construção do Setor Noroeste. O protesto aconteceu na Central de Vendas do bairro, uma suntuosa loja na 208 Norte.

No boletim de ocorrência feito no dia, o manifestante é acusado pela empresa de ter destruído dois vasos de plantas, que adornavam a entrada da loja. Durante audiência, porém, a advogada da empresa, Flávia Alves Gomes, resolveu cobrar de David não só os vasos, no valor de R$ 1000,00 cada, como também a pintura da parede e até mesmo a água da fonte que decora a loja.

Na ocasião, os manifestantes atiraram ovos e vegetais podres contra o stand de vendas do Noroeste, além de adicionarem corante vermelho em pó à água da fonte, simbolizando o sangue dos indígenas que vivem no local da construção do suposto bairro ecológico. Faixas irregulares de propaganda do bairro também foram incendiadas.

Na ponta do lápis, o “acordo” proposto por Paulo Octávio custaria ao estudante nada menos que dez mil reais. Além do dinheiro, David também teria de redigir um pedido formal de desculpas à empresa, a ser publicado num jornal diário da cidade.

“É um absurdo ser processado pelo maior empresário de Brasília por conta de uma suposta quebra de dois vasinhos de planta, que não representam nada no orçamento dele. E o pior é a exigência de ter de se retratar publicamente por algo que não pratiquei. O processo todo é motivado por interesses políticos, já que o movimento foi vital na derrubada do ex- governador. Isso é parte do trabalho de criminalizar os movimentos sociais. Não vamos nos amedrontar com essa atitude”, pontua David, que se mantém na UnB graças à assistência estudantil, por possuir baixa renda familiar e estar desempregado.

O estudante está sendo assessorado por advogados que atuam no Movimento Fora Arruda, Gilson dos Santos e Márcio Freitas Filho. “Na verdade, a empresa não queria construir acordo nenhum. As exigências deles são estapafúrdias. A ação contra o David tem uma série de falhas, e talvez a maior delas seja a de imputar a uma só pessoa coisas que aconteceram durante um ato com vários e vários militantes. Além de não haver flagrante, as testemunhas arroladas por eles trabalham todas na empresa, estando contratualmente impedidas de falar contra a companhia”, detalha Gilson.

A audiência terminou sem acordo entre as partes, de forma que a disputa será levada a julgamento.

por André Shalders e David Almeida

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Julgamento Palhaço

Hoje vou ser julgado pelo protesto que fizemos em fevereiro
contra o maior empresário de Brasília, Paulo Octávio, que à
época era vice-governador.

O impressionante é que me acusam de ter quebrado dois vasos
de planta do Estande de Vendas dos apartamentos da Paulo Octávio
Empreendimentos Ltda. E isso é extremamente grave na visão do magnata.
Perder dois vasinhos é inaceitável. Talvez tivesse valor sentimental
para a empresa, quem sabe.

O que sei é que essa palhaçada pretende criminalizar o Movimento, que
foi o grande responsável pela queda do safado, que covardemente renunciou
para não ser cassado e preso como ladrão do dinheiro público, mensaleiro
com vários outros do DEM.

Só o fato desse processo estar correndo é sinal de que o judiciário também
não tem o mínimo de senso ético e está a serviço dos capitalistas para
tentar colocar medo nos opositores da sacanagem estatal.

Caso seja condenado, a pena varia de um ano a seis meses de detenção
ou multa. Se não for absolvido, espero que a revolta que nutre as
mobilizaçõses populares por uma nova política se intensifique e promova
o caos nesse joguinho idiota do Estado. É hora de deixarmos de ser crianças
na luta que exige rupturas e perdas, desestruturação e guerra declarada.
Ou então, vamos esperar que mais pessoas sejam presas e mortas
por simplesmente discordar do poder instaurado à força pela minoria.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

MFA -Nota de Explicação à Ocupação da nova CLDF


“O Movimento Fora Arruda e toda a Máfia – criado após o estouro do maior escândalo de corrupção do Brasil, a Caixa de Pandora – continua na luta por uma nova política no Distrito Federal, com a construção de novos 50 anos para Brasília.

Exatamente no cinqüentenário da capital federal, ocupamos o prédio destinado à nova sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Este ato simbólico busca expressar toda a indignação da população brasiliense com a atual situação política e social em que vivemos. Não podemos deixar que as comemorações dos 50 anos de Brasília sirvam como uma nuvem para camuflar todas as injustiças do DF.

Não podemos aceitar um governador eleito por 13 deputados – dos quais 8 estão comprovadamente ligados às denúncias de corrupção do DF. A escolha de um governador deve ser feita pelo seu povo. Exigimos a impugnação da eleição indireta de Rogério Rosso (PMDB), que esteve a serviço de Roriz e Arruda nas últimas gestões de governo e representa a continuidade dessa mesma política.

O prédio que ocupamos – superfaturado e desnecessariamente grande e luxuoso – não pode abrigar os mesmos corruptos que elegeram Rosso e tentam nos calar com panetone. Ele deve ser destinado às necessidades da população. Sua gestão deve ser feita diretamente pelos movimentos sociais. O primeiro passo para essa conquista é a realização de uma auditoria das obras do prédio, que custou três vezes o valor do orçamento inicial.

Exigimos também uma auditoria das obras da nova rodoviária. Aliás, toda a política de transportes do DF tem que ser questionada. É preciso cancelar o contrato do atual passe livre com a empresa Fácil. Lutamos por um transporte realmente livre, gratuito e de qualidade. Os usuários têm o direito de construir um transporte verdadeiramente público para o DF, participando ativamente das decisões.

Para começarmos a construir outros 50 anos, é fundamental que o atual Plano de Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) seja totalmente anulado. A farsa do Setor Noroeste como um bairro ecológico tem que ser desmascarada. É preciso respeitar a comunidade indígena do Santuário dos Pajés e a biodiversidade. É inadmissível construir apartamentos exclusivos para a elite local, enquanto milhões de pessoas não tem condições adequadas de moradia. A ação cautelar que impede as obras no Noroeste tem que ser cumprida.

Todas as investigações devem ser aprofundadas e os corruptos, punidos. A população deve ter acesso a todos os vídeos do inquérito da Caixa de Pandora. Só quando todos estiverem cientes do que está acontecendo nos bastidores da política, teremos força para construir o poder popular. Nenhuma ação violenta e repressora vai nos parar. Exigimos a demissão do Coronel Silva Filho, da Polícia Militar – responsável por várias agressões criminosas contra o movimento.

Participe dessa luta você também. Venha para a Câmara! Mostre que você também está indignado. Coloque faixas pretas no seu carro, na sua janela ou onde mais a criatividade deixar. Poder para o povo!”

quinta-feira, 8 de abril de 2010

MFA lança Tony Panetone pra Governador

O Movimento Fora Arruda protocolou essa quarta feira na CLDF o lançamento da candidatura de Tony Panetone pra governador e Bezerra Dourada vice. O ato foi interpretado como brincadeira por muita gente, mas na verdade tem um objetivo bem definido e grave: é uma mostra de toda indignação que acomete os cidadãos na atual e verdadeira palhaçada da política do governo distrital. É um protesto satírico que expõe todo repúdio que sentimos por nosso estado "sério" de direito. Se roubar é uma prática realmente admitida pela nova moral que se produziu na CLDF, nada mais digno que um candidato declaradamente ladrão. Ainda se pretendeu levar a população a uma reflexão sobre a legitimidade das eleições indiretas, que serão conduzidas pelos mesmos deputados já denunciados de participação no escândalo do mensalão do DEM. O que se pensar de um bando de corruptos elegendo um governador para o DF?
O nome do Tony faz alusão à desculpa esfarrapada que o ex-governador, sem partido, ex-DEM e agora presidiário Arruda declarou ao responder a denúncias de desvio de verbas públicas dizendo se tratar de dinheiro que seria usado para a compra de panetones para os pobres no natal.
Bezerra Dourada, sua vice relembra o instrutor de Arruda na escola da corrupção: Joaquim Roriz, que foi gravado à época fazendo negociações com o ex-presidente da CEB para a divisão de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos. Se defendeu alegando ter pedido um empréstimo para pagar uma bezerra no valor de R$ 300,00 mil.
Não podemos deixar que nossa cidade se tranforme em parque de diversões pra burguesia e seus representantes. Temos dignidade e a história não vai acabar em pizza.
LOBISOMENS DA CAPITAL
O Setor Noroeste é a mais nova forma de genocídio do séculoXIX em Brasília. Sob a égide de primeiro bairro ecológico do Brasil esconde a destruição da única tribo indígena que vive na região há mais de 50 anos. E ainda precisa tirar do mapa centenas de hectares de mata nativa de cerrado que são as últimas a resistirem à especulação imobiliária na capital para a construção de luxuosos apartamentos que custarão em média R$ 300,00 mil cada um. Brasília não precisa esperar para se transformar numa nova São Paulo. Se queremos uma cidade sadia eticamente que respeite as populações originárias na sua construção e abrigue um mínimo de vegetação nativa, é preciso agir agora!

domingo, 14 de março de 2010

A ECONOMIA DO HORROR

A força sustentadora e fundamental do sistema capitalista é o egoísmo. Sem levar em conta questões psicológicas envolvidas nessa afirmação nem possíveis utopismos que possam ser relacionados à constatação, o fato é demonstrado na análise da economia de mercado. A "lei" da oferta e da procura pressupõe que para todo produto criado, o interesse básico e último não é a satisfação desta ou daquela necessidade ou limitação social; o objetivo, nunca pronunciado, mas sempre presente e motivador de todo emaranhado de atividades econômicas é a aquisição e acumulação de recursos independentemente da situação dos envolvidos na produção e dos excluídos dela por serem inadequados e dispendiosos. O desprezo e desconsideração por todo fator que impede o funcionamento da "roda-viva" de capitais leva inevitavelmente à extinção de valores que conduzem ao altruísmo e compaixão pelo pesar alheio e, por conseguinte, à exclusão de seres humanos. Os sentimentos, principalmente aqueles que exigem sacrifício das metas de produção, são sufocados sob o argumanto "racional" da inevitabilidade ou naturalidade dos mecanismos comerciais, tão carrascos que não permitem outra lógica além daquela que legitimize e oculte os horrores por eles provocados, mas tão bem camuflados nos discursos publicitários, econômicos, políticos e também religiosos. (Cont.)
(D.W)

terça-feira, 9 de março de 2010

A Indústria da Alienação

O prejuízo causado pela "indústria da alienação" ou, como preferem os conservadores apologistas da democracia cega, indústria do entretenimento é tão amplo quanto a população do Brasil. O nível de pessoa formado nas salas de vídeo de cada casa, barraco ou mansão, que assista diariamente ao bombardeio desesperado de palhaços ignorantes da tv aberta, ávidos por instigar qualquer instinto dos telespectadores, contanto que os faça ter a indisposição suficiente para não se dar ao trabalho de pensar, não seria capaz de responder a qualquer questão que escape de seu escopo sensacional de sons e imagens. A tv, na atual situação, de fato educa para a imbecilidade.O problema mais incompreensível, porém, é perceber que uma instituição tão nociva à educação é completamente isenta de críticas e repressões . Basta alguém citar um ou outro excesso que comprometidos defensores da democracia liberal se levantam ofendidos com o ultraje.Sejamos sinceros, o Estado é tão fraco quanto uma andorinha no verão. Mas não por falta de apoio. Uma gama imensa de cientistas sociais e da saúde mental concorda em refrear o ímpeto destruidor de mentes dos sistemas de comunicação de massa. O motivo se origina no temor a organizações capitalistas.Dentro dessa realidade, propostas como a procura por elevação do senso estético e crítico da população brasileira, devem percorrer o universo das prioridades, se queremos viver num país de cidadãos.

(David Wilkerson)